quinta-feira, 17 de março de 2016

Latrocida é preso em Sorocaba

“É seu ‘trabalho’ roubar, tudo bem, mas para que matar, me diga? É muito revoltante, isso acabou com nossa família toda”.

As palavras são da dona de casa Valéria César Leite, 49 anos, mãe de João Victor César Freire, de 20, assassinado no dia 16 de fevereiro passado em um assalto praticado à noite, na Praça da Amizade, no Jardim Santa Rosália.
 
O autor do crime, Matheus Felipe dos Santos, 21 anos, com passagens de roubo, foi preso ontem de tarde, um mês depois do crime, por investigadores do 1º Distrito Policial de Sorocaba, responsável pelo caso. O rapaz alegou ter atirado em Freire por susto, ao pensar que ele tentava pegar algo no carro quando mexia no câmbio do veículo em que estava. O acusado, que queria roubar o carro da vítima, estava junto com um comparsa.
 
Santos estava na companhia de “Baiano”, um homem que conheceu em uma festa de forró no Bairro Aparecidinha. Eles saíram na noite do dia do crime para ir à praça tentar assaltar alguém. Freire era comerciante, trabalhava em um restaurante junto com sua mãe e irmã, de 12 anos. Ele tinha feito compras no Extra Hipermercados, e ia correr um pouco na praça. O caminho dele se cruzou com Santos e “Baiano”, que queriam roubar o carro da vítima. O jovem estava dentro do veículo quando foi abordado. Levou um tiro no peito, caminhou até o meio da praça e lá morreu.
 
Santos e “Baiano” fugiram e, desde então, investigadores do 1º DP trabalham no caso. Valéria e sua mãe, Luiza Carneiro dos Santos, de 64, avó da vítima, iam três vezes por semana à delegacia pedir informações sobre o andamento do latrocínio. “A gente vinha, e eles prometiam para gente que iam pegar o assassino. Eu sempre acreditei na polícia”, afirma Valéria, muito emocionada ao lado da mãe.
 
Santos foi identificado como um dos autores de outros assaltos na Praça da Amizade, e sua localização acabou sendo descoberta pelos investigadores. Ele morava no Bairro Mato Dentro, e traficava em um cyber da Vila Astúrias. Ontem de tarde, ele foi flagrado no local, preso com 28 porções de maconha, escondidas dentro de uma caixinha no formato da camiseta de Seleção Brasileira de futebol.
 
O rapaz confessou o crime aos investigadores do 1º DP, e disse que quem tinha fornecido a arma foi “Baiano”. O autor dos disparos foi Santos, que ficou com o revólver depois do crime. A arma teria sido devolvida depois para “Baiano”. O revólver de calibre 38 não foi encontrado, tampouco “Baiano”, que ainda é investigado pela polícia para descobrir sua real participação no caso.
 
Revolta e gratidão
 
“A morte de Victor acabou com nosso negócio de família. O restaurante era tudo para ele. Ele estudava Fisioterapia, mas ia mudar para algo relacionado ao restaurante. Para que tirar a vida de alguém que nunca fez mal para ninguém?”, revolta-se Valéria. “A vida a Deus pertence. Quer roubar, rouba. Se esse é o trabalho que conseguiu na vida, faça, mas não tire a vida de gente inocente e de bem”, diz, com lágrimas nos olhos. A avó da vítima, Luiza, também se emociona ao falar. “Foi cumprida a vontade de Deus. O assassino do meu neto foi pego. Todo mundo fala mal de polícia, mas eles provaram que são gente como a gente hoje. A polícia, agora, faz parte da nossa família. Para sempre”.
 
Matheus Felipe dos Santos foi indiciado por tráfico de drogas e latrocínio, e recolhido para o Centro de Detenção Provisória – CDP.

Reproduzida do Diário de Sorocaba.

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