sábado, 1 de agosto de 2015

Justiça de Mairinque ouve falsos médicos

Os três falsos médicos que atendiam nas cidades de Alumínio, São Roque e Mairinque prestaram depoimento no Fórum de Mairinque. Um deles é Jaime Ricardo Chumacero Cabezas Júnior, preso na noite de quarta-feira (29/07). O acusado estava foragido, mas se apresentou espontaneamente à polícia. 
 
Jaime trabalhava no Pronto-Socorro de Alumínio, prestando serviços por meio da empresa Inovaa. Segundo o advogado de defesa, Bruno Valverde, o rapaz é formado em Medicina na Bolívia, mas não possui o Revalida – único exame capaz de reconhecer diplomas estrangeiros da profissão no Brasil. Ele é natural de Rondônia e está cursando disciplinas complementares em Minas Gerais para conseguir o Revalida. 
 
Jaime está com um mandado de prisão temporária, assim como Vilka de Souza Nobre, que atendia aos pacientes com o CRM de Cibele Lemos, profissional que trabalha no norte do Estado. Os outros dois médicos clandestinos que foram ouvidos ontem são Pablo do Nascimento Mussolin e Natani Thaísse de Oliveira. Ambos estão presos preventivamente. 
 
Pablo apresentava-se com o CRM de Pablo Vinício Tomáz, e Natani atendia com CRM de Natália Meijas de Oliveira. Os dois alegaram ter cursado Medicina na Bolívia, porém não conseguiram ser aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas, quando retornaram ao Brasil. A polícia descobriu, porém, que Pablo teria conseguido um CRM verdadeiro através de um diploma retirado numa instituição de ensino, localizada no nordeste. Vilka não prestou depoimento ontem e é considerada foragida. Conforme o apurado, ela é namorada de Jaime. 
 
As investigações sobre os falsos médicos começaram a partir desta falsária, que abandonou o plantão médico de Alumínio, no dia 11 de julho. Funcionários da unidade desconfiaram de sua atitude e consultaram o site do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo para confirmar seu cadastro, quando descobriram que ela usava o CRM de outra profissional. A partir daí, a polícia abriu o inquérito, que descobriu os outros infratores. Mais dois falsos médicos, que prestariam serviços médicos na região e não tiveram seus nomes divulgados, também estão sendo investigados. 
 
A "Operação Placebo", que está na segunda fase do inquérito, analisará agora os tipos de contratos e relações entre as empresas e os falsos médicos. Além da Inovaa, o Instituto Ciências da Vida e a empresa Guazza, que presta serviços à Santa Casa de São Roque, está sendo averiguada. A Diretoria de Saúde do hospital informou ter suspendido os serviços com esta empresa.
 
A polícia já recolheu documentos de mais de 30 volumes nas empresas que firmaram contratos com os profissionais terceirizados. De acordo com o promotor de Mairinque, Joaquim Portela, o Ministério Público vai apurar a responsabilidade dos órgãos de fiscalização das prefeituras sobre a contratação dos falsos médicos e se eles poderiam ter evitado as fraudes.  
 
Também serão analisadas as 60 declarações de óbitos emitidas pelos infratores. Segundo o promotor, as empresas que fornecem os médicos poderão ter de devolver aos cofres públicos o valor pago aos profissionais. A delegada Fernanda Ueda disse, em coletiva de imprensa na Delegacia Seccional de Sorocaba, na semana passada, que os falsos médicos recebiam de R$ 40 a R$ 60 mil pelos plantões realizados. 
 
A polícia relatou também que os pacientes, atendidos pelos falsários, passarão por novas consultas. Até agora, diversas pessoas foram ouvidas, como os diretores das empresas que disseram desconhecer as fraudes, funcionários dos hospitais e unidades de saúde da região e pacientes com reclamações sobre os atendimentos dos falsos médicos. Estes responderão aos crimes de falsidade ideológica e associação criminosa.

Reproduzida do Diário de Sorocaba.
 

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