sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Polícia de Sorocaba aponta suspeito pela morte da jovem Tainá Gabriele

Foto/Diário de Sorocaba
Depois de quatro meses foragido pelo assassinato da jovem Tainá Gabriele de Jesus Chagas, 19 anos, a Polícia Civil prendeu o acusado de ser autor do delito, o metalúrgico Paulo Roberto de Jesus, 42 anos, na segunda-feira (03/11), no Bairro de Aparecidinha, em Sorocaba. 

Ele foi encontrado, graças a uma denúncia anônima, que levou os agentes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) a capturá-lo em sua casa. 

Apresentado na DIG quinta-feira (06/11), o homicida esteve de cabeça baixa e não deu nenhum pronunciamento à imprensa, mas chegou a dizer em interrogatório que não se lembra do crime, que é apenas uma vítima do Estado e que só agiu porque o que sentia era mais forte do que ele. 

O delegado Acácio Aparecido Leite disse que a polícia recebeu o telefonema de uma pessoa, que reconheceu o indivíduo por meio das imagens captadas por câmeras instaladas numa empresa e foram divulgadas no dia 28 de outubro. Nelas, é possível ver o momento em que Paulo toma Tainá à força, quando ela falava com uma amiga ao celular, no dia 15 de julho de 2014.

“No mesmo dia em que divulgamos as imagens, uma pessoa nos ligou à noite dizendo que reconheceu o autor, e que ligaria no dia seguinte passando mais informações. Realmente, essa pessoa nos ligou e confirmou o nome do acusado, inclusive de que ele já havia sido preso por crimes sexuais.” 

Segundo as investigações, Paulo saiu em maio da Penitenciária Dr. Antônio de Souza Neto, em Sorocaba, onde cumpria pena por atentado violento ao pudor. Em 2008, ele atacou uma jovem, da mesma forma que Tainá, usando uma faca e levando-a para um terreno baldio, em São Paulo. Na ocasião, a vítima reagiu e o homem foi detido em flagrante. Passados os anos, Paulo saiu da prisão e quis recomeçar sua vida em Sorocaba, deixando na Capital sua mulher e dois filhos. 

O metalúrgico alugou uma casa na Vila Haro, próximo à casa de Tainá, e começou a procurar emprego. “Nós acreditamos que ele já conhecia a vítima de vista, por morar perto dela. Na época em que cometeu o crime, ele passava por exames admissionais para entrar numa fábrica de autopeças. Enquanto isso, fazia bicos como catador de materiais recicláveis. Por isso, na noite do homicídio, ele alegou que a sacola que segurava com a faca era, na verdade, para pegar latinhas”, afirmou o delegado Acácio. 

Depois do assassinato, o acusado mudou-se para um imóvel alugado no Bairro de Aparecidinha, perto do atual trabalho. Em diligências pela casa dele, os policiais encontraram a jaqueta preta, usada no dia em que ele matou a jovem. A camiseta clara que ele também usava foi encontrada na fábrica de autopeças e será analisada pela perícia para saber se havia marcas de sangue.

Levado à DIG, o autor negou o crime e entrou em contradição diversas vezes ao falar sobre o homicídio, apresentando sinais de um "serial killer". “Ao mesmo tempo em que ele não confessa o crime, ele apresenta sinais de um assassino em série, pois disse que o que sente é mais forte do que ele, como aconteceu no ataque a outra jovem. 

Ele se contradisse várias vezes, afirmando que é uma vítima do sistema, que tem medo da própria liberdade e que na verdade foi forjado a fazer o que fez. Isso nos demonstra uma mente doentia e que até mesmo possa ter cometido outros crimes sexuais, que serão investigados”, detalhou Acácio. 

Paulo já possui um extenso histórico criminal, com passagens por homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Ele está detido na cadeia pública de Pilar do Sul, onde cumpre mandado de prisão temporária, que poderá ser prorrogado por mais 30 dias, até a conclusão do inquérito, onde será indiciado por homicídio triplamente qualificado, por meio fútil e torpe. 

A polícia também espera o resultado do exame pericial para comprovar se ele cometeu estupro contra a vítima. “Apesar de não termos encontrado marcas de violência sexual no corpo dela, estamos analisando essa possibilidade. Se confirmada, ele também responderá por estupro”, ressaltou o delegado. 

Relembre o caso 

O corpo de Tainá Gabriele de Jesus Chagas foi encontrado em um terreno baldio, na Rua Antônio Lopes Bravo, Vila Haro, no dia 16 de julho. A moça apresentava oito marcas de golpes de faca, quatro delas no pescoço, três nas costas e uma próxima ao seio direito. 

Para ajudar na identificação do criminoso, a Polícia Civil conseguiu imagens registradas pelas câmeras de segurança de uma empresa, que mostram o momento em que o autor passa próximo à vítima, quando ela conversava à noite com uma amiga ao celular.

Tainá caminhava pela Rua Fernando Luiz Grohmann, na Vila Hortência. Ela atravessa a rua, para na esquina e depois volta e fica na calçada da outra rua que faz o cruzamento. Neste momento, o criminoso aparece subindo a mesma rua em que ela caminhava antes, e vê a vítima. 

Ele observa para ver se não tem ninguém e aborda Tainá com a faca. A ligação com a amiga é interrompida às 22h47. Quase duas horas depois, o autor aparece no mesmo vídeo, correndo pela Rua Fernando Luiz Grohmann, usando as mesmas roupas e a sacola com a arma. 

O pai da jovem, Adauto Ferreira Chagas, 39 anos, deu por falta da garota e foi procurá-la na casa de uma amiga, que mora no bairro, mas não a encontrou. Ele voltou para casa, tomou banho, e ficou esperando pela esposa, Rosângela Fátima Jesus Chagas, de 38, que chegou do trabalho por volta da 1h30. 

Ele contou à mulher que Tainá tinha saído, mas não havia voltado ainda para casa. Os dois pensaram, então, que ela poderia ter dormido na casa da amiga com quem falava pelo celular. Na manhã seguinte, ambos foram ao local de trabalho desta moça. 

Ela, por sua vez, disse que não sabia o local onde a jovem poderia estar, mas confirmou que as duas realmente se falaram na noite anterior. Depois disso, os pais foram à casa do namorado de Tainá, que tinha voltado do trabalho. O rapaz dormia, quando foi recebido pelo casal, e também relatou que não sabia sobre a jovem. 

Foi então que eles resolveram ir à delegacia do bairro para relatar o sumiço da filha, quando souberam que a polícia havia achado o corpo de uma moça, com as características semelhantes à de Tainá, parcialmente coberto por terra num terreno baldio. Para a tristeza do casal, o corpo era mesmo da filha, que foi encontrado com um lençol manchado de sangue. 

Na segunda-feira (3), a família da vítima soube que Paulo Roberto de Jesus estava preso. Rosângela publicou em seu perfil no Facebook uma mensagem dizendo: “Obrigada, meu Deus. Obrigada a todas as pessoas que do jeitinho de vocês ajudaram meu coração a ficar em paz e da minha família também. 

Nessa data, a justiça foi feita. Amém, Deus misericordioso. Se sentindo em paz”. Amigos e familiares que acompanharam o caso, também deixaram várias mensagens de consolo à família no perfil de Rosângela, apoiando a operação da polícia, com a prisão do autor. 

Reproduzida do Diário de Sorocaba. 

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